Pedro Amâncio
Escritos
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21 de agosto de 2024

Reflexo

Sento-me próximo à janela, Mesmo ônibus, Mesmo horário, Mesmo banco, E te procuro através dela. Ali, já estava rendido. Quando te vi de longe, Fiquei totalmente distraído. Havia um mundo além daquela janela Que, até então, me passava despercebido. Você sobe e senta à frente. Além de envergonhado, Fico com o coração contente. O vento traz teu perfume, E meu pensamento só em ti se resume. Palavras não são necessárias, Teu olhar fala por nós. Cada gesto é um poema que se escreve, Enquanto o ônibus avança e se perde, O mundo através da janela ganha cor e voz. A cada parada, um instante eterno, Meu coração viaja sem fim, Enquanto nos olhamos no reflexo do vidro. O que teus olhos conversam com os meus É um mistério, um anseio interno. Quando o ônibus para e vou embora, Um vazio me acompanha. Busco o momento que no tempo se esconde, Relembrando teu olhar profundo e ligeiro. Maldita mania de amores passageiros.

— @pdroamancio

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